domingo, 31 de outubro de 2010

Hoje quero chorar

Quem disse que chorar é exprimir tristeza? Quem disse que chorar é uma expressão de dor? Quem disse? Por acaso foi o Aurélio?
Mas o Aurélio também disse que o choro é um conjunto instrumental com flauta, violão e cavaquinho; e para intensificar a harmonia inseriram o bandolim, a clarinete e o pandeiro. Festa para quem é faceiro!
Choro, chorinho e chorão! Choro grande, choro pequeno, choro de contemplação.
Mas isso tudo não passa de uma introdução para dizer que hoje quero chorar. Quero chorar de todas as formas: de tristeza e de alegria, de admiração ou decepção, chorar com as verdades ou com as ilusões; isso tudo porque o mundo é contradição e eu tenho minhas razões.
Razões que me fazem de fato chorar mesmo que eu não queira, mas às vezes é impossível evitar que lágrimas não caiam de meu olhar. Às vezes eu as prendo e fico com o nó na garganta para que ninguém possa notar.
Queria ser como o palhaço, que pinta seu rosto e sai para animar, se estiver triste, ninguém conseguirá enxergar. A sua máscara esconde a mágoa que acaba por ser substituída pela alegria dos que riem da graça do palhaço que antes era triste.
Hoje eu quero chorar e derramar minhas lágrimas. Quero chorar as dores do doce e amargo mundo.
Também quero chorar ao ouvir a melodia que é entoada todos os dias. Nessa melodia as notas que compõem os acordes são emitidas no sol, lá, si dos bem- ti- vis e no cricri dos grilos. A mãe natureza me trás alegria por que ela é feita por choros que são melodias. É o buá da criança quando sai do ventre de sua mãe e o buá da mãe que deu a vida. É o chuá das águas que descem do céu e o chuá das águas que correm nos rios. É o barulho do vento batendo nas folhagens das árvores e o toctoc das marteladas do carpinteiro a moldar a cama no qual irei repousar.
O dia que era claro se fez noite que é escura. Mas não quero viver a escuridão do fim do dia, não quero chorar “por ter perdido o sol, as lágrimas me impedirão de ver as estrelas”.
Ao chorar tudo o que hoje quis, minha alma encontra-se limpa, leve e solta. E essa leveza por ter a alma livre permite que eu contemple com exatidão o perfil da noite que não é escura, esta é iluminada pelo brilho da lua e das estrelas.
Um jogo de luz que ilumina aqui e ali cada músico que toca a sinfonia da mãe terra, obra do Divino.
São Luis, 08/ 07/ 2010
Aline Xavier  Bras

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Vivendo e aprendendo

"A vida é maravilhosa se não se tem medo dela." (Charles Chaplin)
Ensinaram-me a não ter mais medo, que a vida tem valor e que este não é um filme que deve ser apenas assistido, mas também atuado. Neste filme, a atriz principal sou eu.
Hoje, me sinto como a muito não me sentia, na verdade, nunca me senti assim. Pela primeira vez me sinto disposta a fazer coisas e viver a vida que eu mesma e auxílio da graça Divina preparamos. Agora não penso é por ele, penso e me sinto melhor afirmando: é por nós (eu, você e Deus).
Deus me concedeu um dom de acolher e a fazer coisas pelo meu próximo, principalmente quando se trata de minha família e de meus amigos. Mas percebi que usava erroneamente este dom, e que muitas vezes maltratei minha alma e meu Criador. Então, de que adianta ter tal ferramenta se eu ainda não aprendi a usá-la? Uma hora o sistema pifa e serei apenas uma peça inútil e sem valor abandonada em um canto. Aqueles que foram beneficiados por tal ferramenta não virão em busca dela para reformar e fazê-la nova. Aprendi isso, quando no momento em que mais precisei não encontrei uma mãozinha daquele que tinha levado meus pés e meus braços quando eu só oferecia uma mão.
A vida é dura, mas comparado a quê?”
Eu comparo a dureza da vida quando me deparo com pessoas ingratas, que não reconhecem o tamanho do Amor Sacramentado e o valor das criaturas que atuam como anjos aqui na Terra. Percebo que é neste momento que devo agir como serva; noto que não é um abandonado que precisa das palavras de vida e sim esses “cegos” do Amor perfeito.
Mas não são todos os humanos desconhecedores. Felizmente há pessoas de fato humanas, pessoas que ouvem o chamado do Eterno e pessoas que ao serem resgatas por semelhantes seu, ficam comovidos e se sentem tocados a trabalhar para obra do Pai como forma de demonstrar a eterna gratidão.
Longe de mim querer ser santa ou anjo, mas faço o que está em meu alcance para proporcionar um sorriso no rosto daqueles que há muito esqueceram o que é esticar os lábios e mostrar os dentes em um movimento sincronizado. Não precisa emitir um som, apenas gerar no olhar um brilho de esperança.
"Para Adorar, tive que aprender a amar"
Quando aprendi a não ter medo, acabei por descobrir em mim mesma a ausência de um sorriso, de uma alegria e de uma esperança no olhar. Que muitas vezes ou quase sempre me diminuir e me fiz inferiorizada, não dei valor a mim mesma. Descobrir que eu proporcionei ao próximo aquilo que não tinha dentro de mim, e que este surgia rapidamente, de forma passageira ao “fazer o bem sem saber a quem”. Então pergunto a mim mesma: é isso que Deus quer de mim? É isso que quero para mim?
Quero sorrir verdadeiramente, ter a felicidade plena que é marcada sim por algumas dores, mas como diz um amigo: “é a dor mais doce do mundo, pois brota do amor sentido, e cada um de nós apenas passaria pela vida sem viver se não a sentíssemos.”
As dores, as cruzes, as dificuldades e os obstáculos estão nos caminhos para serem superados. Se eu esbarrar neles, não devo permanecer no chão, pelo contrário, tenho e devo lembrar que mais a frente existe outro obstáculo a ser superado e caída no chão jamais chegarei à linha de chegada.
Agora, ao perceber a bela obra que sou eu, que tenho uma natureza digna de uma criatura de Deus e que este habita em mim; digo e afirmo que irei mudar e nunca mais depreciar-me.
Então, por meio destas palavras que não expressam completamente o que sinto e penso é que torno a afirmar um compromisso que ontem eu assumi com uma das pessoas de minha vida: se é para mim, você e ele enxergar que Deus nos ama como somos, que nós somos as pessoas mais bonitas do mundo, que também somos instrumentos de Deus, que nós somos belos pelo o que fazemos e seguimos é que aceito sim entrar nessa onda de fazer-me nova e renovada e de passar este aprendizado àqueles que esbarrarem em meu caminho.
São Luís, 27/ 06/ 2010
Aline Xavier Bras

Momentos

Há momentos que só queremos colocar para fora o que não temos dentro da gente...
Há momentos que só queremos adquirir aquilo que achamos que não possuímos...
Há momentos que só queremos ter um momento.
Foi assim que amanheci nesta manhã: desejando ardentemente ter um momento. Como ele seria não sei dizer, só sei que gostaria de tê-lo.
Então, desejando encontrá-lo, procuro sair de casa um pouco mais cedo, mas acabo por sair mais tarde do que previa, na verdade, estou um pouco atrasada.
Apesar de tarde, o mundo aqui fora parece está meio vazio. O ônibus_ geralmente cheio_ possui cadeiras vagas, o terminal com poucas pessoas e a universidade quase deserta.
Sozinha em sala de aula começo a rabiscar em meu caderno este texto, no qual tento explicitar o imenso desejo de ter um momento.
Um barulho... Escuto em meio ao silêncio uma canção, mas não é uma canção cantada por homens e sim entoada por Deus.
Olho pela janela e vejo que chove, ficando a cada minuto mais forte. As águas da chuva batendo nas folhagens das árvores acabam por emitir uma melodia triste e melancólica. Deus chora as dores do mundo.
Desejo um momento em que eu me sinta livre de tudo e de todos que me prendem a este mundo; desejo um momento em que eu esteja presa somente ao Tudo, meu Rei e Senhor.
É este momento que procuro e não encontro. Geralmente eu o sinto quando me coloco a adorá-Lo, quando ali em meio ao ostensório o vejo. Mas já faz tanto tempo que não vou à capela vê-Lo exposto que agora só me cabe o desejo.
Momentos, apenas o momento... Lembro do Eterno. Alguém escreveu sobre ele baseado em uma canção: “O tempo esconde o que é eterno”. Lembro-me de uma outra canção que também fala do eterno: Abraço Eterno.
É isso! O abraço eterno é o que procuro e não encontro; Ele está em minha frente e não O vejo; Ele me chama pelo nome, mas não O escuto. Ele me quer, mas não me entrego verdadeiramente apesar de tanto desejar.
Desta forma, almejando por este momento, trago uma frase que expressa o que sinto dentro de mim:
“Amor tão grande, amor tão forte, amor suave, amor sem fim”.
Mesmo com tantas dores eu amo. Amo o Eterno e amo um alguém. Alguém, eu o amo sim. Mas o amor tudo entende, tudo compreende e tudo suporta por mais sofrido que seja.
Agora devo parar, a aula vai começar e hoje quero ficar até terminar o horário. Mas só o meu corpo vai permanecer aqui; minha mente voa longe em busca de novos horizontes cantando a canção...
“... Que a própria morte transforma em vida, Abraço eterno de Deus em mim
Nem as torrentes das grandes águas conseguirão apagar este amor
Pois suas chamas são fogo ardente, mais do que a morte é tão forte esse amor.
De abraço esmagante, de ausência torturante, de noite e luz é feito esse amor”.
São  Luís, 21/ 06/ 2010
Aline Xavier Bras

Jóia rara



Quanta emoção, alegria, risos, gargalhas e conversas mais do que animadas. Discussões aqui e ali, mas super natural dentro de um ramo social. Um convite, uma presença, um beijo e um abraço apertado. Somos e seremos eternamente responsáveis.
Não há memórias e lembranças em que cada um deles não estejam presentes. Em todos os dias, foram eles que me fizeram rir e chorar. Quantas jóias raras, raríssimas me são pertencentes!
No mundo, quem é aquele que não tem um amigo, a mais bela forma de expressão do Divino? Sim, expressão, pois as amizades são as verdadeiras faces de Deus em mim, em ti e em vós.
Tanto já foi dito pra tentar definir o que é um amigo. São eles anjos ou nossa alma gêmea? Será que são eles os portadores da asa que irá fazer par com a minha para juntos alçarmos vôo e partir de encontro à liberdade? Mas a liberdade já é alcançada quando reunidos estamos; não há limites apenas um forte êxtase dentro de cada um ao manifestar todas as formas de contentamentos que em palavras não podem ser ditas.
Amigo, amigos quem os descobriu encontrou de fato um tesouro, o mais belo e raro tesouro.
É bem verdade o que as canções dizem:
“Não é preciso mais adormecer para sonhar com um anjo descendo do céu, basta você perceber que eu sou mais que um amigo fiel. Sou aquele que trás a alegria de Deus e a entrega direto em seu coração e com você vou sorrir e chorar, lado a lado vamos caminhar... Nós somos mais que amigos, somos anjos que o Senhor enviou pra você...”
“Amigos pra sempre, bons amigos que nasceram pela fé. Amigos pra sempre, para sempre amigos sim, se Deus quiser.”
E como Deus quer e deseja que nós, criaturas sua tenhamos amigos. Amigos que nos acolhem nos momentos de queda e de fraquezas; amigos que são refúgios quando temos medo; amigos que dão opiniões nos momentos de indecisões; amigos que são mais que amigos; que tem pré- disposição para qualquer situação.
“Num mundo que se faz deserto, temos sede de encontrar um amigo”.
E essa sede é bem real. Como humanos, temos a necessidade de criar laços que não seja os familiares, tentar encontrar um alguém, ou melhor, um amigo que nos compreenda.
Como é importante, Deus nos fez portadores do grande tesouro, cuja pedra rara se chama amigo. De tamanho valor, essa preciosidade faz com que tenhamos responsabilidades de zelar e cuidar. Mas esse tesouro só existirá se nós sairmos pelo mundo para amigar, colocar em prática esta ação.
No caminho, enterrado em algum lugar, encontramos amigos de todas as formas, inclusive amigos que não são tão amigos, são parecidos, mas com o tempo notaremos que era só semelhança.
A jóia rara amizade possui características únicas, que o tempo nos ensinar a zelar, pois elas são frágeis e em qualquer descuido podem se acabar. Essa jóia rara se fortalece à medida que somos fiéis a ela. O tempo que ela irá durar vai depender de nosso cuidar. O amigo não suporta a traição, a mentira e a ausência. Sua sobrevivência depende da nossa fidelidade, do desejo salutar de cada parte de uma amizade.
Assim, faltam palavras para tentar definir o que é um amigo e por que ele se faz tão importante. A capacidade de nos aproximarmos um dos outros apenas para trocar afetividades nos faz humanos de tal forma que até chegamos a nos perguntar como. Uma força superior a nós, que permite imitarmos de certa maneira o Criador de todas as coisas. Digo imitar, porque a parti do momento que encontramos um amigo aprendemos a nos doar. Essa doação é total, nos faz dá a vida para salvar o grande amigo, fazer aquilo que Jesus fez. O Nosso grande Mestre deu sua vida para nos salvar; Ele fez isso porque era e é nosso amigo. Foi por amor aos pequeninos que sua vida a nós entregou.
Amizade é essa forma de amar o outro com seus defeitos e falhas. Amar alguém a ponto de nos motivar a transpassar barreiras para manter essa relação amistosa.
Encerro este pensamento com outro pensamento que define muito bem o que é amizade, o que é ter amigo.
“O amor é essa capacidade de ver o outro de forma diferente. No meio de tanta gente, alguém se torna especial para você e você se aproxima. O amor é essa capacidade de retirar alguém da multidão, tirá-lo do lugar comum para um lugar dedicado, especial. Alguém descobriu uma sacralidade em você. Amar é você começar a descobrir que, numa multidão, alguém não é multidão. Quando alguém se aproximou de você foi porque você gerou um encanto nessa pessoa. O outro se sentiu melhor quando se aproximou de você. A beleza da totalidade que você tem faz o outro melhor.”
São Luis, 18/ 07/ 2010
Aline Xavier Bras

... vazio....


Luz seja luz para aqueles que ainda precisam encontrar Jesus...”
Esta frase não sai da minha cabeça, ela me perturba. Já troquei a canção, já desliguei o som e tentei pensar em algo, mas ela permanece insistente em minha mente.
Procuro alguém que cuida de mim, mas ele não está pra me ajudar... Procuro orar, mas não consigo. A minha mente estar desnorteada, meu eu interior em conflito, tudo se faz vazio, nem há mais lágrimas, pois as utilizei de uma só vez. Meus olhos ardem por ter passado a metade de um dia em prantos e uma noite não dormida, na verdade tem várias noites que não fecho os olhos.
Estar quente, agora preciso tomar outro banho para esfriar o calor escaldante. Na verdade, eu quero tirar de mim tudo que me faz triste e todos os pensamentos deprimentes... Não passa, e nem vai passar, o calor que estou sentindo não é um calor físico, é mental.
Sinto-me vazia... só queria escrever algo bonito, alegre e animador, mas eu não consigo pelo fato de eu não viver a alegria e não sentir a felicidade verdadeira. Tenho tanto para fazer, mas não o faço porque não consigo me concentrar, as tarefas se acumulam e eu nada posso fazer para evitar. Tenho que tirar essa frase que me perturba da mente.
O que há comigo? Não sou eu..., minha cabeça estar doendo intensamente, meu corpo esmorecido e minha boca amarga. Tem algo doce, mas não quero comer, não sinto fome e nem sinto sede. Só o vazio em mim se faz presente.
Sinto dor, muita dor!
O tempo não passa, o relógio funciona perfeitamente, mas tudo é uma eternidade. Olhando o que em minha volta existe, marco cada passo do ponteiro, então, como que propositadamente uma nova canção começa a tocar:
“... e me faz novo, todo novo
Renovado em Jesus...”
É isso, é isso: ser luz para os que precisam encontrar Jesus. Mas como farei isso, se eu mesma ainda não O encontrei? Se vivo dentro de mim algumas trevas?
Então, a nova mensagem a ser lançada me diz que para ser Luz, tenho que renovar-me; renovada em Jesus conseguirei ser a luz que todos esperam que eu seja.
São Luis, 20/ 06/ 2010
Aline Xavier Bras

Roubaram de mim...




Nesta tarde sagrada
Roubaram de mim a pouca felicidade que sentia...
Roubaram de mim a pouca força que em mim prevalecia...
Roubaram de mim sem por que e nem pra quê
Apenas roubaram de mim...
E me fizeram assim:
Fraca quando estava forte
Triste quando estava alegre
Vazia quando me sentia cheia de euforia
Apagada quando me sentia iluminada
Sozinha quando me sentia acompanhada
Roubaram de mim sem por que e nem pra quê
Apenas roubaram de mim...
E me fizeram assim...
Neste dia que chega ao fim.
Eu quero ir embora, pra não mais sofrer
Pra não sentir dor e não me esconder
Eu quero ir embora, pra longe de todos
E ficar perto do Tudo
Quero ir embora porque roubaram de mim
O prazer da alegria que ganhei neste dia
Quero ir embora, ir pra bem longe...
Mas tenho que ficar e suportar
O que em minha volta há.
Hoje, na tarde que ainda não se fez noite
É preciso me trancar e voltar a pensar...
Apesar de terem roubado de mim o que existia
Eu quero recomeçar e tornar a cantar
A canção que vai me confortar:
Eu sei que é difícil esperar
Mas Deus tem um tempo pra agir e pra curar
Só é preciso confiar
Se a cruz lhe pesa
Não é pra se entregar
Mas para se aprender a amar
Como alguém que não desiste.
A dor faz parte do cultivo desta fé
E só quem sabe o que se quer
Quem luta para conseguir ser feliz.
Não desista do amor, não desista de amar
Não se entregue a dor porque ela um dia vai passar
Se a cruz lhe pesou e quer se entregar 
Tal como Cireneu, Cristo vai lhe ajudar.”
São Luís, 19/ 06/ 2010
Aline Xavier Bras

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

No fim do dia


Fim de tarde, tempo nublado, o vento que batia leve meu rosto amenizava um pouco o calor que se fazia neste dia concedido pela graça Divina.
No momento, livre de todas as obrigações diárias, só quero poder seguir meu caminho de volta para casa, onde poderei enfim esquecer todas as tarefas que me recaem para entrar em contato com o que mais almejo: uma conversa centrada no autor de minha vida.
Então num ônibus cheio de pessoas que em sua maioria encontram-se sem ânimos, cansadas e estressadas depois de uma longa jornada de trabalho, fui uma das felizardas a seguir viagem sentada, mas não por muito tempo, pois mais a frente cederia o lugar para uma senhora que estava acompanhada de seu pequeno filho, este infelizmente negou-se a sentar em meu colo. A pé prossigo o percurso para casa. Perdidas em meus pensamentos começo a contemplar o vidro da janela que se fazia molhado, pois neste momento começava a chover. Analisando as gotas, me vejo tentada a filosofar um pouco e nisso chego a uma pequena conclusão:
Somos como as gotas que escorrem pelo vidro. Algumas permanecem paradas, sem ânimos para escorrer e encontrar a imensidão em meio a tantas outras gotas que já haviam escorrido e se aglomerado; outras gotas desciam tão rapidamente em linhas retas que ao chegar ao fim, com impacto de sua velocidade eram lanças ao chão molhado e sujo sem ter como voltar atrás; e a ultima gota analisada, aquela que teve paciência e sabedoria, que escorria devagar, às vezes parava mais encontrava forças para descer, essas gotas faziam curvas mais estavam prosseguindo apesar das dificuldades em meios a tantas outras gotas que paradas tentavam impedir a caminhada das que ainda persistiam em encontrar a imensidão.
Tenho que descer, ainda tenho meia hora de caminhada, meia hora para dá inicio a novos pensamentos. Para minha felicidade, já não chove, na verdade, nem chegou a chover nesta região, pois o chão encontra-se seco. O que me permite refletir o seguinte: neste mundo cada lugar tem suas particularidades. Eu sou eu, você é você e assim se faz e assim se vive. Enquanto aqui é noite, no Japão é dia; enquanto ali chove, aqui se faz quente...
Estar escuro, o dia chegou ao fim para dá inicio ao novo amanhecer que em breve chegará para novamente vivermos e sobrevivermos. Este percurso que faço a pé é meio deserto, além de ruas, postos e outros estabelecimentos não há nada que prenda minha atenção, mas gosto de realizá-lo, me faz pensar e refletir sobre o que poderei eu fazer. Geralmente costumo conversar com meu Deus que sempre estar disposto a ouvir.
Então, lembrado-me do vidro molhado: Há momentos que não dá para não pensar em desistir, que o peso é grande demais para agüentar e que a dor é sofrida para suportar. Nessas horas, as fraquezas tomam conta e as lágrimas já se negam a ficar guardadas.
O mundo! Este pequeno grande mundo insiste em magoar. Olho para os lados: onde ficar? Para onde ir? E se eu desistir parar de sofrer e for como as gotas que não escorriam e que se limitaram a ficar presas dentro de si? Gotas essas que podem ser comparadas com as pessoas que já não se importam, apenas vivem a vida e o mundo olhando uns prosseguirem tão rapidamente sem viver e aproveitar o que de mais belo há em nosso meio; e outros que bem vivem na graça e contemplação de uma vida de dedicação, união e entregas de um mundo no qual há salvação.  Existe algo melhor e maior que me faz ter a ciência de que se eu for contra o que há em mim, não serei eu. Serei vazia e sem objetivos. Estarei vivendo uma farsa preenchida de “felicidades” passageiras. Não quero ilusão em minha vida, quero ser preenchida com uma força e uma presença maior. Essa força e essa presença eu só encontro quando dobro os meus joelhos e clamo pelo Rei e Senhor nosso. Digo nosso porque Ele não é só meu é de todos que O buscam.
Estou em casa para novamente partir. O cansaço físico não torna-se obstáculo para eu pegar meu teclado e descer a longa ladeira, passar por vielas escuras e pessoas mau encaradas.
A porta destrancada como sempre, me permite entrar com facilidades dentro da residência em que moro. Estranho, mas foi impossível não lembrar que tempos atrás, um gatinho me esperava na porta. Não sei como, mas era sagrada a presença dele no pé do portão aguardando minha chegada. Em silêncio, dou o beijo na pequena criança que janta, sem mais delongas, entro em meu quarto, retiro meu sapato e tomo meu banho, tirando de mim todos os resíduos de um mundo lá fora.
Pego meu terço, digo a minha mãe que estou saindo apesar de não obter resposta alguma, mas sei o que se passa em sua mente: mal chegou e já estar saindo. Olho para dentro digo mentalmente: fiquem com Deus que eu vou com Ele.
Mas tarde estarei de volta, não para descansar, pois meu corpo apesar de pedir uma cama não pode relaxar, minha mente se nega a parar de funcionar, ela é perseguida pelas obrigações que devo cumprir. Mas sei como já foi me dito que tenho que ser humana, que tenho limitações. Na verdade, já estou refletindo o cansaço físico. Olheiras profundas, olhar meio morto..., mas é essa atividade constante que me faz sentir viva e útil.
Prometo a mim mesma que hoje descansarei ou tentarei descansar, não por mim, mas por meu corpo, pois sei que se não o fizer, em breve não poderei contemplar outro amanhecer.
 No fim do dia... Inicio de outro que vai chegar.
São  Luis, 17/ 06/ 2010
Aline Xavier Bras

Quando temos alguém...

Neste mundo em que todos parecem estar ausentes do sistema que nos engloba, onde a família perdeu o significado do que vem a ser uma ; onde a essência de uma humanidade parece não mais exalar com todo fervor do perfume original; a presença de alguém torna-se essencial para continuar-mos a percorrer as estradas deste vasto planeta governado e gerenciado por pessoas  humanas que não agem como se fossem desta raça.
Quão grande é minha dor ao ver o mundo em que vivo, aos poucos , se deturpar. Não existem mais princípios, filhos não confiam mais fielmente em seus próprios pais. Onde o amor existia dentro de um lar, resta-me a certeza de que só existe, neste momento, apenas a angustia, o medo, a solidão e a amargura. Sentimentos esses que querem até mesmo tomar o lugar de meu Senhor, a minha razão de viver.
Na esperança de colocar fim às deformações presenciadas por mim, me apego com força àqueles que parecem me compreender, que se dispõe a acolher-me e ajudar-me a suportar a vida que tenho e aqueles as quais convivo.

Deus Pai sabe que a fé que eu tenho é pequena como um grão de mostarda, entretanto, eu O clamo a todo instante, imploro sua presença e digo que serei fiel. Deus, que está sempre comigo sabe que, na minha insignificância não consigo ouvi-lo, então, por amor a mim, coloca em minha vida pessoas especiais que parecem falar por Ele. Minha esperança, o restinho que existe em mim tenta ganhar espaço em meu interior. É uma luta, um duelo entre o bem e mal.
Mas ainda sim, tendo certeza de que há salvação, não só para mim, mas para toda a sociedade ao meu redor, meus defeitos prevalecem e minha fraqueza toma posse por não encontrar em quem procuro compreensão, carinho; afetividades e um pouco de colo humano de que preciso.
Está doendo tanto! As feridas que as batalhas me causam, sangram sem parar. Diante do altar, tento deixar-me ser curada pelo dono de minha vida, que se entristece em ver quem eu sou, uma serva que diz fazer algo pelo próximo e não está suportando como deveria o peso da Cruz.
Desespero... Não quero deixar meu Senhor e meu Deus, mas aqui fora me sinto tentada a abandonar minha missão, deixar-me vencer pelo mundo cruel e pelas pessoas que não crêem. Eu não quero ser igual a Judas que traiu JESUS por umas poucas moedas; não quero ser igual a vários “Judas” que se levantam, que não seguem ao Bom Pastor para não sofrer e assim curti os prazeres mundanos que o inimigo oferece.
Meu Deus, como eu sou pecadora! Cadê a pessoa que até ontem escrevia textos como: “Permanece Fiel e Sonhos...l”? Onde estar minha fé em Ti? Estou fora de mim, não sei o que digo e o que penso. Neste momento, só preciso colocar para fora esse erro dentro de mim.
Deus, Preciso tanto de Ti e estar ao Teu lado. Estou com medo, Tu bens sabe.
Espero ser este apenas um momento de insanidade minha. Pois se não for, não há mais razão para eu prevalecer neste mundo de maldades; que não parece ser dos homens.
Sim, é só um momento de tormento pelo o qual vivi hoje. Não posso deixar isso me dominar, sei que Tu estás comigo e coloca pessoas ao meu lado.
Tenho alguém, que apesar da distância física, cuida de mim. Então, deixarei tais pensamentos de lado e voltarei a sonhar. Eu tenho sonho de ser “oferta viva em Teu altar”. Então, terei perseverança pelas pessoas que longe cuidam de mim e principalmente por honra a Ti.
Senhor, novamente lançar-me-ei em Teus braços. Mesmo com o coração cheio de temor irei, pois, tirar-Te a nuvem de amargura e rejeição que estavam deixando minha visão turva. Por que mais uma vez Tu falaste por meio de alguém que tenho ao meu “lado”.
Quando temos um alguém que nos compreende, o difícil parece ser menos difícil e peso da cruz diminui.
E agora pouco, ao comungar de Teu Corpo meu coração, inflamado de Teu amor ouve o que Tu dizes a mim:
Permanece fiel, não te deixas dominar pelo o que o mundo te faz. Eu sou contigo e Tu, deves está em mim. Levanta tua cabeça filha e faz o que deves fazer para construir o Meu Reino. Permanece fiel criatura minha, pois Te amo. Seja minha imagem e semelhança, pois te dei a vida e uma missão. Filha, eu Te Amo e nunca te abandonarei. Pega tua cruz e segue o caminho que te ensinarei.
São Luis,12/ 06/ 2010
Aline Xavier Bras


Sonhos

Venho Senhor minha vida oferecer, como oferta de amor e sacrifícios. Quero Senhor minha vida a Ti entregar, como oferta viva em Teu altar.”
Um mundo que desejei devastar. Via-me como uma caçadora de relíquias pesquisando, analisando, apreciando, explorando cientificamente cada parte e detalhe deste vasto mundo.
Um mundo que desejo intensamente vivenciar e entregar ao Divino. Este é meu atual sonho. Nele, não saciarei a vaidade e, sim a minha alma, pois estarei vivendo e levando pessoas a viverem comigo o sonho que o Senhor deseja que eu realize. Este não é mais um sonho mesquinho, e, sim compartilhado.
Dois sonhos, dois momentos, duas épocas diferentes. Meus sonhos eram vazios, voltados apenas para o meu eu, para a satisfação de meus desejos. Onde coloquei Deus? De que adiantaria realizar esses sonhos se o Supremo Maior não estaria presente (porque eu não estava permitindo) para preencher o espaço vago dentro de mim?
Hoje eu acordei, abri meus olhos e nesse novo despertar vejo meu novo sonho retratado na canção “Oferta de Amor”.
O antes e o depois; ontem e o amanhã; hoje e o agora. Como ser oferta? Sacrifícios! Terei que me sacrificar? Pois bem, se for para realizar meu sonho, que venham os sacrifícios. Farei o possível, até mesmo o impossível, mas a partir de agora irei realizar o meu grande novo sonho: oferecer com amor e sacrifícios a minha vida ao Senhor; ser oferta viva no altar de meu Bom Pastor.
Minha vida oferecer...” É estranho e emocionante o quanto nossos sonhos deixam de ser sonhos, quando descobrimos verdadeiramente a existência de Deus Pai que, ao mesmo tempo é Filho. Quando nos permitimos vivenciar o sagrado, tornando-o cada vez mais essencial em nossas vidas.
No momento me pergunto: como pude lembrar-me de ter Deus em minha vida, apenas para agradecê-lo no fim da noite e pedir? Como pude me distanciar do Pai sabendo de sua existência e, não ter a ciência de que Ele queria estar ao meu lado o tempo todo? Mesmo que eu o deixe de lado, o Senhor jamais me abandonará e sempre permanecerá comigo em todos os momentos.
Vou recuperar o tempo que perdi; vou vivenciar intensamente Deus em meu dia-a-dia, não vou só agradecer ou pedir. Serei fiel, quero amar verdadeiramente assim como sou amada. Sei que mesmo sem querer, ainda magoarei o Pai Eterno, mas dessa vez, sei como fazer para que eu peça perdão e encontrar os meios para ser remida de meu erro.
Vou viver de oferecimentos e entregas; vou cuidar de mim e do meu próximo, acolher aqueles que precisam ser acolhidos. Pai, eu viverei o sonho que o Senhor desejou pra mim, porque agora eu acordei e sei que sem Ti não poderei mais viver.
Quero e vou oferecer minha vida a Deus, vou me sacrificar para alcançar a glória eterna, pois Senhor, hoje eu sei que nasci pra Ti adorar, enquanto eu viver Ti servirei.
Venha Senhor cumprir em mim “o Teu querer, faça o que estar em Teu coração”. Cumpra Senhor Jesus, porque meu sonho é querer estar ao Teu lado “cada dia mais e mais”.
São Luis, 08/ 06/ 2010
Aline Xavier Bras

Permanece fiel



Eis o pão dos anjos, Vinde e adoremos!... Adoremos para sempre o Santíssimo Sacramento!”
Somos um povo. Não há divergências, intrigas ou discussões sem sentido. Todos parecem amar e serem amados por estarem voltados a um único foco: fazer o melhor para Jesus passar.
Neste dia, não importa se vai chover ou fazer sol; se iremos nos alimentar ou não; se estamos sujos ou limpos; neste dia de esplêndida sintonia entre todas as comunidades só há alegria.
É isso que o amor do Pai Celestial causa nas pessoas. Até àqueles que dizem “eu não creio”, compartilham um pouco da felicidade que os católicos sentem neste dia de Corpus Christi.
Não adianta a mídia fazer críticas - até mesmo porque é contraditório – pois ao mesmo tempo em que ataca e reprime a nossa Igreja, se vê obrigada a fazer elogios e a divulgar nossos ritos sagrados, formando conceitos nas mentes de fracos que se deixam influenciar por meia dúzia de palavras lançadas “ao léu”. A Santa Igreja Católica permanece em pé, unida ano após ano, com seus fiéis seguidores dela  e adoradores  de um  Deus verdadeiro que se faz presente no Pão e no Vinho.
O Deus Verdadeiro... Nem depois da morte Ele nos abandona; permanece em meio a nós, expondo-se para novamente ser seguido por fiéis e insultados por infiéis.
Mas o que importa? Assim como Senhor permanece fiel às suas promessas, eu como pessoa e serva lutarei para permanecer fiel a Ele. Adorarei e seguirei ao meu Jesus que se faz presença real no sacramento da Eucaristia. Na Santa Missa, acompanharei com o coração exultando de felicidade a mudança do pão e do vinho em  seu corpo e de seu sangue, a mais pura transfiguração do Divino.
Que me chamem de fanática, louca, insana, alienada..., vivendo a loucura da cruz, serei tudo isso com muito orgulho na certeza de que Jesus Sacramentado é comigo e de que eu sou um sacrário vivo. Na certeza de que ao comungar, não é um pão e o vinho que me alimenta, mas o verdadeiro Corpo e Sangue de Cristo, pois, assim mandou o próprio Jesus e eu obedeço a sua ordem, porque quero me alimentar da verdadeira comida e bebida e; a vida eterna:
“O que come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. O que come deste pão viverá eternamente.” (Jo 6, 55-59)
A Igreja por meio da Santa Missa permite que eu e os demais fiéis fiquemos ao lado de Jesus, sentindo bem no íntimo o amor a nós entregue e é por essa razão que todos os que se opõem à Igreja que é Santa, Una, Católica e Apostólica hão de dobrar seus joelhos e adorar, adorar e adorar.
Não tenhamos dúvida, o Senhor é fiel a nós e essa fidelidade deve ser recíproca. Não tenhamos medo do que a fé representa. Peguemos desde já a nossa bandeira, coloquemos nossa armadura e vamos mostrar verdadeiramente que somos católicos e que de fato entramos em total comunhão com o Senhor Jesus Cristo ao comungar da Santa Eucaristia.
Saiamos pelas ruas de cabeças erguidas proclamando que é o “Tempo do Amado, seja Adorado!”. 
                                                                                                         São Luis, 04/ 06/ 2010
Aline Xavier Bras

           







Apenas um pensamento

Meu coração em meio ao silêncio da madrugada arde, queima e questiona como sempre o porquê e o que devo fazer.
 Em mim há apenas a necessidade de preencher cada espaço vazio com a presença Divina. Tenho buscado de todas as formas essa comunhão, mas diante de minhas limitações percebo que muito devo fazer para finalmente alcançar tamanha graça. Sei que meu Bom Pastor estar o tempo todo comigo, mas e eu? Será que estou o tempo todo com o Mestre que é digno de todo o meu louvor e de toda a minha adoração?
No dia de hoje muito pensei e tive uma única certeza: sou muito ignorante e pouco sei das coisas de Deus. Como posso permanecer assim? É muito egoísmo de minha parte oferecer tão pouco de mim Àquele que deu a vida por amor à minha pessoa!
Vejo que quanto mais me dou, mais preciso e mais necessito sentir este amor verdadeiro, vivenciá-lo na vida de meus irmãos pobres de ruas e daqueles que vivem largados à margem da sociedade precisando apenas de uma palavra, de um carinho ou simplesmente uma presença do lado. Orar e crê não é o suficiente para mim, eu preciso levar à prática minha fé. Deus estar despertando essa vontade em mim. Dói como nunca doeu ficar impotente diante de tantas injustiças causada por aqueles que deveriam ser imagem e semelhança de nosso Senhor. Preciso parar de lamentar esperando um milagre que me é concedido a todos os instantes. Preciso parar de achar que sofro, não sou uma sofredora pelo contrário, Jesus me deu a vitória e o fato de estar aqui hoje, neste momento é a prova concreta de que o Meu Bom Pastor esteve no campo de batalha comigo.
Assim, perdida por esses pensamentos, tenho a certeza de que todo o sofrimento é necessário para enfim encontrar a felicidade que tanto almejo. Assim, o sofrer só poderá me afetar por toda a vida se assim eu desejar.
A felicidade não exclui o sofrimento, porque ele é inevitável. A felicidade depende da maneira como vamos sofrer. Foi isso que Jesus ressaltou em sua própria vida. Evitar sofrimento não nos leva uma vida mais feliz, mas a forma de enfrentá-lo conduz a uma vida mais significativa.

São Luis,  24/05/ 2010
Aline Xavier Bras

Adeus



A vida é constituída de constantes despedidas; estamos sempre tendo que dizer adeus a alguma coisa ou a alguém. Dizemos adeus pelo dia que passou, por algo que acabou, ou sentimento que se dispensou. Mas de todos os adeuses existe aquele que é bem doloroso: despedir de quem gostamos. Queria que momentos como esse não existissem, que as pessoas nunca tivessem que dizer essa palavra aos seus amados, mesmo sabendo que algumas vezes elas tornam-se necessárias.
Somos seres sociais, dotados de sentimentos que às vezes ultrapassam os limites. Temos necessidades de estar juntos; trocar carinhos, afetos, palavras. Apegamos-nos às pessoas de tal forma que chega a doer e diante de tamanha união, a dor de dizer adeus torna a ser dilacerante. Sofremos pela distância que separa dois ou mais corpos; desperta dentro de nós o amor e não é a separação física que irá colocar fim a esse nobre sentimento; pelo contrário, é essa mesma distância que irá provar o quanto somos fiéis às nossas amizades, a capacidade de não esquecer aquilo que nos marcou por tempos e tempos.
Como queria não ter que dizer adeus. Mas se necessário direi, com o coração partido, sangrando, mas direi. Digo deixando claro que dentro de uma grande amizade, o tempo não apaga todas as emoções vividas, cada palavra dita, o primeiro encontro...  É assim, nada é pra sempre, tudo tem um fim, o que muda é forma como iremos conduzir cada situação, cada dia e cada momento. Dentro da amizade, laços são feitos para não serem rompidos. As raízes desta benevolência se encontram em solos profundos e, por estar bem fixada no solo de nosso coração, é que sobrevivemos ao adeus e assim conseguimos caminhar.
Adeus, palavra que dói na alma, que nos faz chorar e sentir falta, que desperta saudades e nos faz em pedaços. Adeus, palavra que também faz lembrar de minhas responsabilidades para com a “rosa que cativei”.
 “-Adeus, disse ele...
-Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de lembra-se de algo.
- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho a fim de se lembrar.
-Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...
-Eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho a fim de se lembrar.”
E assim será. Jamais irei esquecer a verdade de zelar e cuidar de minha rosa. Ela é o essencial visível aos meus olhos ontem, hoje, amanhã e sempre. Não é o adeus, não é distância, não é a saudade e não é a dor da ausência que irá apagar de dentro de minha memória, do íntimo de meu coração as poucas e verdadeiras amizades que ao longo do tempo consegui cativar. Elas serviram como o meu suporte, minha razão de não desistir de algumas situações e o mais importante: elas foram jóias que o Senhor me concedeu, o tesouro vindo dos céus e abençoado por Deus.
“Num mundo que se faz deserto, temos sede de encontrar um amigo”.
São Luis, 21/ 05/ 2010
Aline Xavier Bras


Simplesmente por me amar

De todas as criaturas do mundo, depois de Deus, somente a mulher é capaz de dá vida.
Nossas lágrimas nunca são desperdiçadas, pois ao chorarmos Deus vem recolhê-las para guardar em um pote de ouro e quando necessário, as utiliza derramando-as sobre as pessoas que precisam, transformando assim as nossas lágrimas, sejam elas de dor ou felicidade, em bálsamo.
Dádivas, o que nos tornou tão merecedores de tamanho amor?
Sem pedir nada em troca, o nosso Bom Pastor nos deu tudo. Deu seu único Filho para nos Salvar. Jesus entregou sem hesitar o maior bem que um ser pode ter: a vida.
Temos motivos mais do que suficientes para sermos felizes e mesmo assim, muitos são os que se encontram deprimidos, tristes e solitários. Porque não parar um pouco e olhar em volta? Por que não perceber a grandeza na simplicidade de cada milagre que nos é concedido a cada dia? Estamos vivos, isso é uma glória e uma vitória nossa. Em um campo de batalha, onde a qualquer momento corremos o risco de não ver o amanhecer do dia seguinte, nós sobrevivemos, vencemos mais um dia, mais uma guerra. Então, qual é a dificuldade de abrir os olhos e lembrar de nosso Criador? Agradecê-lo por tudo e por todos?
Vivemos da hora que abrimos os olhos até o momento que os tornamos a fechar a benção divina. Pensa um pouco, olha em volta, há um Sol que todos os dias brilha no céu; há um vento, brisa suave que bate em nosso rosto refrescando e amenizando o calor; há pássaros voando e entoando uma melodia, a mais bela de todas as músicas; e assim temos um sistema natural permitido por Deus, sistema que gera vidas de diversas espécies. Olha como o Pai é gênio! Ele pensou e tudo nos deu, e ainda assim, somos ingratos, somos cegos por não perceber o quanto somos amados.
Amar, simplesmente amar. Um sentimento tão bonito e tão difícil de ser colocado em prática, tão difícil de ser percebido e ao mesmo tempo difícil de ser provado. Mas o Amor é esplêndido, é grandioso, é o mais nobre de todos os sentimentos. É por essas qualidades e diversas outras que aqui não são citadas que o Amor não pode ser provado.
O Amor estar no toque, estar no gesto, estar no olhar e na palavra. Estar dentro de nós, está em nossa volta. Só quem sente e só quem vive; só quem dá e quem recebe é capaz de perceber o Amor.
Foi por ter conhecido o maior de todos os sentimentos, por ter tido as minhas feridas mais íntimas curadas que hoje prometo nunca mais duvidar de que existe um Criador, prometo nunca mais questionar o porquê do sofrer, do chorar. Prometo questionar sim os motivos e razões, pois elas aconteceram para uma boa causa.
Viverei o hoje sem me preocupar com o amanhã, pois tenho certeza que o “Senhor, tu olhas pra mim, me sonda assim, meus passos escutas. Senhor, tu vês em mim, vês mais do que a mim...” Ele nunca me abandona e nem me abandonará.
Tenho essa certeza porque foi nos momentos difíceis de minha vida, nas minhas dores, nas minhas quedas que Ele veio e me colocou no colo e disse bem no meu íntimo: “Filha, eu sou contigo”.
Eu não preciso de mais nada, a não ser sentir este Amor, me entregar completamente, sem medo das conseqüências que o mundo na sua crueldade irá me colocar. Sei que ao optar em ter a Cruz Sagrada como minha luz, o inimigo virá com todo fervor me tentar para que eu abandone a minha cruz; ele irá me oferecer as coisas “boas do mundo”, irá tentar, me influenciar a seguir o caminho mais fácil; irá jogar em minha cara que Aquele que adoro permitiu que eu viesse do pecado e sofresse do mesmo pecado de minha origem, irá alegar que até mesmo dobrando meus joelhos, Deus permite que eu sofra a solidão, o silêncio, o medo, as fraquezas. Mas mal sabe ele, que o Eterno já veio até mim e colocou em meu coração o porquê que eu tiver de vim do pecado, o porquê de cada sofrimento. Ele não sabe que Deus tem a oferecer é bem maior do que qualquer coisa passageira e momentânea que o inimigo deseja me dá.
Eu quero e eu vou carregar a Bendita Árvore da Cruz. Se eu cair, meu Deus estará ao meu lado; se eu chorar, por Ele minhas lágrimas serão recolhidas e em um pote de ouro guardadas para ser bálsamo; se eu tiver que passar pelo deserto do silêncio e do sofrimento, se eu sofrer dos martírios e estigmas sei que as “razões serão de recolher dentro em nós os resquícios do Amor Primeiro, recordar Suas obras e prodígios de outrora, crendo que neste silêncio será gestada a nova intimidade que Ele deseja nos dar.”
E assim, nada e nem ninguém irá me separar do Amor maior, do amor que me fortalece. A parti de hoje viverei buscando a verdade, não desistirei de conquistar o Bem Maior. E nessa busca de conquista, irei levar o máximo de pessoas possível.
Nossa subida espiritual atravessa um mundo de escuridão, mas o temor salutar faz-nos encontrar a Luz.” (Padre Pio)

São Luis, 16/ 05/2010
Aline Xavier Bras

Santidade



Hoje amanheci com o coração meio apertado, na verdade, de uns tempos para cá tem sido sempre assim.
Pensava muita sobre uma pergunta que ontem me foi colocada, e junto com ela várias outras surgiam: qual o preço de nossa santidade, da minha mais especificamente? Será que estou vivendo uma vida santa, ou próximo de tal grandeza? Se realmente quero viver uma vida em plena comunhão com Deus, de que terei de abrir mão?
Dúvidas, questionamentos, uma vida a ser buscada. Quantas vezes já não me fiz esta pergunta. Por que agora ela soa em meus pensamentos diferente?
Todos os dias, todas as noites era consumida de uma única vontade, largar o tudo que tinha e me entregar profundamente à obra de Deus. Cartas foram enviadas desejando profundamente uma aceitação. Motivações, não tive, a não ser a vontade de estar e viver doando-me a Deus e ao próximo. Hoje, amadurecida, percebo que não era só uma busca de santidade que queria. O que de fato eu procurava, era uma forma de fugir da realidade em que vivia e de certa maneira, tentar arrancar a dor da culpa substituindo-a por uma boa ação.
Ontem recebi uma das cartas enviadas; “Aqui é o seu lugar” é o que tem escrito no envelope. Acho que preferia não tê-la recebido, muita coisas mudaram; na verdade não muitas, apenas uma coisa mudou. Não tenho muito do que abrir mão, a não ser meus estudos, que já não são tão importantes e minha família.
Estou em conflito comigo mesma, sem saber o que fazer. O meu interior diz neste momento para mim: Aline, você pode continuar e pode viver essa santidade aqui fora. Você não precisa se enclausurar para ser uma verdadeira serva do Bom Pastor.
O que faço? Tenho que enviar uma resposta. Se eu negar, disser não, será que estarei dando as costas ao meu Senhor?
O que vivi, o que eu vivo me faz serva, mais não por completo. Tenho limitações humanas que me impedem algumas vezes de fazer aquilo que um verdadeiro cristão faria. Sei que não estou no caminho errado, Tem um Ser superior, que me ama e me protege, que cuida de mim e ver os meus feitos. Sei que o que fiz não causa desgosto ao meu Rei, mas temo que o meu Não a esta carta possa fazer o Divino se entristecer.
Meu Deus, não posso ser infiel a Ti. Quero seguir-te sempre, Tê-lo como meu sustento para toda a vida.
Apesar de dizer não à carta, ao convite que me foi feito e que eu tanto desejei; meu coração sente ainda, talvez mais intensamente a necessidade de está em Deus.
Hoje, na igreja, olhando as irmãs da Fraternidade O Caminho, fui tomada de um forte desejo de ser como elas. Uma beleza que vem da alma, uma beleza divina. Uma vida de entregas, abdicações que resultam em uma felicidade que nós, de fora muitas vezes não compreendemos. Eles nada possuem, a não ser a certeza de que Deus é com eles. Em cada abraço dado, eles me concediam uma sensação de paz, de amor e proteção; mesmo me conhecendo pouco, eles me proporcionam uma amizade onde em nenhum outro lugar posso encontrar.
Então, consumida de uma dor que nem eu compreendo, me faço neste momento uma canoa, frágil e velha perdida em alto mar, onde quem me guia é o vento forte. Não sei onde irei parar se estarei inteira ou em pedaços. Em meio à escuridão do mar, o medo não me tomará, porque não há o que temer quando temos como guia o nosso Supremo Rei.

São Luis, 12/ 05/2010
Aline Xavier Bras